ESTUDO EXEGÉTICO DE I
COR. 14:34 e 35
Nestas duas passagens
o apóstolo Paulo declarou:
"Conservem-se as
mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam
submissas como também a lei o determina.
"Se, porém, querem
aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para
a mulher é vergonhoso falar na igreja."
Baseados nestes
dois versos de Paulo e com a mesma idéia confirmada em I Tim. 2:11 e 12, muitos
membros de algumas igrejas têm declarado não ser próprio às mulheres ensinarem
na Escola Sabatina e usarem da palavra, na igreja, em outras circunstâncias.
O que levou
Paulo a fazer estas declarações? Será que suas taxativas afirmações eram
somente para aquela época, ou elas ainda estão em vigor em nossos dias? Qual
tem sido a posição da Igreja Adventista, quanto às mulheres usarem o púlpito, e
um dia chegarem a ser ordenadas? Como os nossos líderes têm visto as
reivindicações de algumas senhoras que pleiteiam estes privilégios?
Neste estudo, o
prezado leitor encontrará uma tentativa de dar uma resposta a algumas destas
inquirições.
COMENTÁRIOS GERAIS
I. Paulo e a
Igreja de Corinto
Esta carta
provavelmente foi escrita em Éfeso, no ano 57, durante sua terceira viagem
missionária.
Paulo recebera
completas e seguras notícias da situação da igreja de Corinto, onde havia uma
série de problemas, tais como: partidos, escândalos, impureza, alimentos
oferecidos em sacrifício, o problema das línguas, processos em tribunais
pagãos, o comportamento da mulher no culto público, desordem na celebração da
ceia, etc. Visando orientar a igreja na solução destes problemas, esta carta
foi redigida.
II. Paulo – Sua
formação e a situação da mulher em seu tempo
Crêem alguns
comentaristas que Paulo sendo um produto da cultura judaica, ele recebeu
influências do tratamento que esta dava à mulher.
Eis o que
declara Adam Clarke:
"Esta era uma ordenança judaica: Às mulheres não era
permitido ensinar nas assembléias, nem mesmo fazerem indagações. Os rabinos
ensinavam que 'uma mulher não deve saber outra coisa senão como usar os seus
utensílios caseiros'. E as declarações do rabino Eliezer, conforme
transmitidas por Bammidhar Rabba,
seção 9, folha 204, são ambas dignas de observação e execração. Estas
declarações são as seguintes: 'Antes sejam queimadas as palavras da lei, do
que serem ensinadas a uma mulher'."
Robertson insiste que não é
fácil interpretar estas palavras de Paulo, desde que elas são bastante claras
no que querem expressar, mas na realidade universalmente os cristãos não
obedecem a estas declarações paulinas.
Outro
comentarista afirma:
"As
mulheres devem manter silêncio nos cultos públicos. Cumpre-lhes participarem do
Amém (ver o sexto versículo), mas em tudo o mais não devem ser ouvidas. Elas
vinham reivindicando igualdade com os homens na questão do véu, deixando de
lado esse sinal de sujeição na igreja, e aparentemente também tinham tentado
pregar, ou, pelo menos, vinham formulando perguntas, durante as reuniões públicas
... O ensino foi proibido a elas pelo apóstolo ... uma regra extraída
da sinagoga e mantida na Igreja primitiva (ver I Tim. 2:12). O abandono do
véu eqüivalia a reivindicar igualdade com os homens; ensinar em público
eqüivalia a exercer autoridade sobre eles." – Novo Testamento Interpretado de Russell
Norman Champlin,
Vol. IV, pág. 231.
William Barclay em suas Letters to the Corinthians nos
informa o seguinte sobre a situação da mulher no mundo antigo:
"É conhecido que nos tempos antigos, o lugar que a mulher
ocupava era muito baixo. No mundo grego Sófocles falou: 'O silêncio confere
graça para as mulheres'. As mulheres, a não ser que fossem muito pobres ou de
mui baixa moral, tinham que viver isoladas em casa. Os judeus tinham inclusive
uma idéia mais baixa da mulher. Entre os rabinos havia alguns ditos que
colocavam a mulher ainda numa situação muito pior, como estes: 'Ensinar a lei
para a mulher é ensinar a impiedade'. Outro sentenciava: 'Ensinar a lei para a
mulher é como jogar pérolas aos porcos'.
"No Talmude, na lista relacionada com as pragas do mundo
aparece: a mulher faladora, a viúva curiosa e a virgem que perde todo o seu
tempo fazendo orações. Era inclusive temível falar com as mulheres na rua.
Ninguém podia solicitar um serviço para uma mulher, nem podia cumprimentá-la.
"Esta sociedade era similar à que Paulo tinha quando
escreveu aos coríntios... Seria
certamente muito errado tomar estas palavras de Paulo fora do contexto em que
foram escritas e fazer delas uma regra universal para todas as igrejas".
Charles R.
Erdman em seu escrito Primeira Epístola
de Paulo aos Coríntios declara:
"Mulheres casadas não devem exercer publicamente o dom
de profetizar. Paulo já teve ocasião de corrigir certas anomalias com
referência à maneira de vestir, e agora menciona algumas inconveniências,
relativas ao dom da palavra, que surgiram naquela igreja. E o ponto em que se
baseia é o mesmo anteriormente citado, a saber, o marido é o cabeça da família,
e a mulher é dependente do marido. A autoridade de ensinar na igreja e o
exercício público da profecia cabiam aos maridos e não às mulheres. Estas nem
deviam interromper o culto sob o pretexto de fazer perguntas. Se quisessem
perguntar alguma coisa que o fizessem em casa, a seus esposos. Era impróprio
para mulheres casadas tomarem o lugar de seus maridos no desempenho de
profetizar na igreja".
O conhecido
comentarista Lange, ao falar sobre I Cor. 14:34 e 35, insiste na mesma tecla:
"Tanto o costume grego, como o romano e também o judeu,
proibia a apresentação das mulheres em público. A ordem da igreja cristã aderiu
ao costume de conformidade com a ordem divina (nomos em grego)
de Gên. 3:16, que impunha sobre a mulher explícita submissão ao homem, uma vez
que ela, por seu ato voluntário, o havia envolvido em apostasia. A isto se
deve o fato de calarem-se as mulheres nas assembléias públicas; enquanto o
falar em público, quer seja na forma de discurso, ou na forma de perguntas
indicava um esforço feminino por independência para sair da posição subordinada
que lhe foi designada por Deus."
Este desejo da
mulher, de libertar-se da condição de subordinada, é muito mais real e vivo em
nossa sociedade.
O artigo
"Mulher Fermento do Mundo" de H. Corazza estampado na revista Família
Cristã é a comprovação máxima desta realidade. Eis suas partes
mais significativas:
"Libertação
e direitos da mulher. Seu papel no mundo, na sociedade e na igreja. O assunto
prolifera sob os mais diversos ângulos e opiniões. Mas qual o seu verdadeiro
lugar? Até que ponto ela sabe descobri-lo e realizá-lo, no profundo do seu ser
como mulher?
"O
desenvolvimento do mundo atual, os estudos revolucionaram também o campo
feminino. Isto possibilitou à mulher um despertar para os valores de sua vida e
presença na sociedade, por tanto tempo ignorados e subestimados.
"Já passou
o tempo em que a mulher era considerada desigual ou inferior ao homem. Hoje ela
quer ser tratada como Pessoa e não como coisa. O conhecimento mais profundo de
sua personalidade e direitos faz com que tome consciência das possibilidades de
atuação que tem no mundo. Há lugar e vez também para ela assumir uma profissão
e colaborar positivamente para o construção da sociedade.
"ENGAJADA
EM NOVAS REALIDADES: Como nos tempos primitivos, a Igreja hoje deseja que a
mulher atue na evangelização. Sua presença está sendo não só reconhecida e
incentivada, mas solicitada nos diversos setores da pastoral: promoção humana,
comunidade de base, catequese, educação, comunicação social, etc.
"Toda
mulher engajada na comunidade cristã, seja ela leiga ou consagrada, pode
favorecer muito a penetração do Reino de Deus nas diversas camadas sociais,
onde, talvez outros meios ou pessoas não chegariam.
"As
qualidades tipicamente femininas fazem da mulher outra Maria de Nazaré.
Providencia o necessário à família. Está atenta às necessidades dos outros:
amigos, vizinhos, conhecidos e desconhecidos. Sabe, na hora certa, dar um
sorriso, dizer uma palavra segura e precisa. A intensa dedicação, a
persistência no bem podem reconduzir lares à harmonia entre si e à paz com
Deus.
"Consciente
da importância de seu papel na sociedade e na igreja, cabe à mulher realizar o
plano de Deus a seu respeito. Na criação, Deus fez homem e mulher. Ele os fez à
sua imagem e semelhança. Complementares.
Não 'submissos', nem dominadores. S. Paulo diz... 'Nem a mulher é sem o homem,
nem o homem sem a mulher, no Senhor. Porque, assim como a mulher foi tirada do
homem, o homem nasce da mulher; e tudo vem de Deus'. A dominação veio com o
pecado e não é conforme o plano de Deus.
"A mulher,
vivendo sua missão, contribui para transformar o próprio lar, o ambiente de
trabalho e de influências. E, na palavra de Paulo VI, podemos afirmar: 'Chegou
a hora em que a vocação da mulher se realiza em plenitude e ela adquire, na
sociedade, uma influência, um alcance, um poder jamais conseguidos até aqui.
Por isso, neste momento em que a humanidade sofre uma tão profunda
transformação, as mulheres, impregnadas do espírito do Evangelho, podem ajudar
muito a humanidade a não decair'.
"Chegou a
hora da mulher ser fermento do mundo!"
As declarações
paulinas em I Cor. 14:34 e 35 e I Tim. 2:11 e 12 são um lado da moeda, mas se a
virarmos do outro lado, o próprio Paulo na mesma carta à igreja de Corinto,
capítulo 11, verso 5, diz "a mulher que ora ou profetiza" – sem
dúvida uma referência às mulheres que em reuniões públicas falavam a respeito
das coisas divinas.
Lucas em Atos
21:9 nos científica de que as 4 filhas de Filipe profetizavam – nada mais, nada
menos do que publicamente se tornarem portadoras das revelações de Deus.
Outros exemplos
comprovativos são encontrados nas páginas Sagradas, como uma demonstração
eloqüente, de que as mulheres mesmo no passado tiveram uma parte decisiva na
causa do Evangelho. Basta nos reportarmos a Romanos capítulo 16, onde
encontramos no primeiro verso Febe, a diligente diaconisa da igreja de
Cencréia. No verso 3 aparece Priscila e no verso 12 Trifena e Trifosa, exemplo
de nossas dedicadas obreiras bíblicas (Fil. 4:3).
III. Posição da
Igreja Adventista neste Problema
Os dois trechos
seguintes do Espírito de Profecia são oportunos neste aspecto.
1) O Homem
e a Mulher
Criados Iguais.
"A negligência, por parte da mulher, em seguir o plano de
Deus ao criá-la, o esforço de alcançar importantes posições para as quais não
se habilitou, deixa vago o lugar que ela podia preencher de maneira aceitável.
Saindo de sua esfera, perde a verdadeira dignidade e nobreza feminis. Ao criar
Eva, Deus pretendia que ela não fosse inferior nem superior ao homem, mas em
todas as coisas lhe fosse igual. O santo par não devia ter nenhum interesse
independente um do outro; e não obstante cada um possuía individualidade de
pensamento e de ação.
"Depois da queda de Eva, porém, como ela houvesse sido a
primeira na transgressão, o Senhor lhe disse que Adão teria domínio sobre ela.
Devia ser sujeita a seu marido, o que constituía parte da maldição. Em muitos
casos essa maldição tem tornado a sorte da mulher dolorosa, fazendo de sua vida
um fardo. o homem tem abusado a muitos respeitos da superioridade que Deus lhe
deu, exercendo poder arbitrário." – Testemunhos
Seletos, Vol. I. págs. 412-413.
2) Mulheres Como
Obreiras Evangélicas:
"A obra
das mulheres está satisfazendo a uma positiva necessidade das mulheres que se
consagraram ao Senhor e estão se voltando a ajudar um povo carecido, vítima do
pecado. É preciso que se faça obra evangélica pessoal. As mulheres que
empreendem essa obra levam o evangelho aos ]ares do povo nos caminhos e
velados. Lêem e explicam a Palavra às famílias, orando com elas, cuidando dos
doentes, aliviando-lhes as necessidades temporais. Apresentam a famílias e
indivíduos a influência purificadora, transformadora da verdade. Elas mostram
que o meio de alcançar a paz e a alegria, é seguir a Jesus". – Testemunhos Seletos, Vol. II, pág. 405.
Do livro Evangelismo, capítulo - Instrutor
Bíblico, págs. 456 a 481, destacaremos os seguintes tópicos:
I.
Mulheres Como Mensageiras de Misericórdia.
II.
Necessidade de Mulheres Conselheiras.
III.
Mulheres no Evangelismo
a) Neste Tempo de crise
b) Mulheres que têm a Obra no coração.
c) Como Conselheira, Companheira e Coobreira.
d) Tanto Homens como Mulheres chamados à Obra
Bíblica.
IV. Mulheres no Ministério Público
a)
A Eficácia da obra Feminina.
b)
Marido e Mulher unidos numa Mesma obra.
c)
Uma instrutora Bíblica Fala à Congregação:
"Cada semana
conta a sua história; uma ou duas almas recebem a Verdade, e a maravilhosa
mudança em sua fisionomia e caráter é tão notável aos olhos dos vizinhos, que a
convicção produzida pela própria vida dessas pessoas leva a outros a verdade; e
elas estão agora examinando diligentemente as Escrituras...
"As irmãs R e M
estão fazendo um trabalho tão eficiente como o dos ministros, e em algumas
reuniões em que os ministros são chamados a outra parte, a irmã M toma a Bíblia
e dirige a congregação". – Carta
169, 1900.
d) Uma Irmã
Dirigir-se à Multidão.
"Ensinai isto,
minha irmã. Tendes muitos caminhos abertos diante de vós. Dirigi-vos à multidão
sempre que vos for possível". – Review and Herald, 9 de
maio de 1899.
Há um pensamento
em Obreiros Evangélicos, pág. 468
para o qual devemos atentar:
"Os Adventistas do Sétimo Dia não devem de nenhuma maneira
depreciar a obra da mulher".
O SDABC ao tecer considerações sobre I
Cor. 14:33 e 34, pondera:
"Se a última frase do verso 33 está relacionada com o verso
34 a passagem diz: 'Como em todas as igrejas, as mulheres guardam silêncio'.
Esta imposição para as mulheres guardarem silêncio não foi meramente uma
restrição regional, por causa de alguma circunstância local, mas uma reflexão
do costume geral de todas as igrejas. Que o costume era geral pode também ser
deduzido de I Tim. 2:11 e 12, onde Paulo sem destacar nenhuma igreja definida,
admoesta: 'A mulher aprenda em silencio, com toda a submissão. E não permito
que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o marido; esteja, porém,
em silêncio'.
"Alguns têm achado dificuldade em compreender esta
proibição, em virtude, não somente de nossos conceitos modernos do lugar da
mulher na igreja, mas também do lugar e serviço das mulheres na história
Bíblica (ver Juízes 4:4; II Reis 22:14; Luc. 2:36 e 37; Atos 21:9). O próprio
Paulo fez recomendações sobre as mulheres que trabalharam com ele na propagação
do evangelho (Fil. 4:3), Não há dúvida de que as mulheres tiveram um papel destacado
na vida da igreja.
"Lei: As
Escrituras ensinam que por causa da sua parte na queda do homem, Deus designou
à mulher uma posição de subordinação a seu marido (ver Gên. 3:6, 16; Efés. 5:22-24; I Tim. 2:11-12;
Tito 2:5; I Ped. 3:1, 5, 6)".
A ORDENANÇA DE MULHERES E O USO DO PÚLPITO
POR ELAS
Concernente a
este aspecto nossa Revista Denominacional Ministry, fevereiro
de1978, págs. 24 e 25 trouxe o seguinte artigo:
"É
possível que uma visão mais próxima da nossa Teologia de ordenação, possa auxiliar na resolução de
problemas mais delicados, dentre os quais está a questão do ministério da
mulher. Negligenciado por tanto tempo, este problema, no presente, é uma
preocupação das igrejas através do mundo inteiro. Cada igreja, evidentemente,
responderá à luz de seu próprio entendimento do evangelho em bases nas suas
próprias percepções. Ainda assim, não pode ser dito que uma solução integral
tenha sido indicada, até entre entidades como o Concílio Mundial das Igrejas.
"Não há
dúvida de que a igreja primitiva não ordenava mulheres. Alguns afirmam que
diaconisas e viúvas eram mais que simplesmente comissionadas; mas, em geral a
ordenação era reservada para homens. No entanto, é necessário investigar por
que as mulheres não eram ordenadas. Seria este impedimento explicado pela
situação social e cultural da igreja primitiva, ou seria esta uma prática
obrigatória para todos os séculos?
"A
intuição de Paulo, na igualdade dos sexos e na natureza e posição da dignidade
da mulher, tem atuado como um fator decisivo na manifestação do desempenho das
mulheres no mundo. ... Eu fui induzido a concluir que não há um argumento
teológico conclusivo que proíba a ordenação da mulher para o ministério
evangélico. Entretanto, ao mesmo tempo, desde que, a ordenação não é apenas
a resposta a um chamado de Deus, mas uma forma reconhecida de nomeação pela
igreja para um cargo designado, será que é sábio passar por alto tão
rapidamente a questão, como se o tempo é chegado para tal procedimento? Seria
tal transformação almejada, enquanto a igreja, como um todo, sensível
orientação do Espírito Santo, não tem reconhecido a liderança de Deus neste
sentido?
"O
Concílio Anual de 1973 registrou o seguinte tópico: 'O Papel da Mulher na
Igreja', No parágrafo 3º solicita às Divisões continuarem seus estudos sobre
esta questão e a compartilharem suas decisões com a Conferência Geral em tempo
para a consideração do Concílio Anual de 1974. O pedido foi atendido pelas
Divisões, que votaram reafirmar os parágrafos 4º, 5º e 7º do Concílio Anual de 1973 que dizia o
que se segue:
"Que a
ênfase sobre o sacerdócio de todos os crentes, e a necessidade do envolvimento
total dos recursos da igreja, para a terminação rápida da comissão evangélica
fosse aceita.
"A
primazia do papel da mulher casada no lar, como é confirmada tantas vezes na
Bíblia e no Espírito de Profecia continua sendo reconhecida por toda a igreja
em harmonia com conselhos tais como o seguinte da pena inspirada: 'Existe um
Deus em cima no Céu, e a luz e glória do Seu trono repousam sobre a mãe fiel
enquanto ela se esforça por educar os filhos para resistirem à influência do
mal. Nenhuma outra obra se pode comparar à sua em importância". A Ciência do Bom Viver, pág. 377 e 378.
"Em áreas propícias para tal
atividade, continua o reconhecimento da importância em designar mulheres para a
obra evangelística e pastoral, e as credenciais apropriadas de missionárias
lhes serão concedidas.
"I. Sendo
que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma igreja mundial, incluindo entre
seus membros povos de todas as nações e de diferentes culturas, e porque um
estudo das divisões mundiais revela que o tempo ainda não é chegado nem
oportuno para este mister; logo, no
interesse da união mundial de nossas igrejas, nem um passo será dado no sentido
de ordenar mulheres para o ministério evangélico".
Segue-se uma
parte da resposta dada pela Revista
Adventista, setembro de 1975, pág. 27, à seguinte consulta:
"S. Paulo diz: 'Conservem-se as mulheres caladas nas
igrejas.' I Cor. 14:34. E isso é confirmado em I Tim. 2:11 e 12. Daí por que
discordo que as mulheres ensinam em classes da Escola Sabatina ou falem na
reunião missionária das Dorcas. Que me dizem sobre o assunto? R. C. de O.
"Não é regra que a mulher ocupe a frente para falar aos membros
da igreja. Entretanto, ocasiões
há em que isso pode e deve ocorrer. Na Igreja Adventista, a irmã White
falou do púlpito centenas de vezes, trazendo mensagens inspiradas ao povo de
Deus. O próprio fato de Deus ter chamado mulheres para Seu serviço público,
como as mencionadas, e poderíamos acrescentar Débora, Hulda em tempos mais
recuados, mostra que uma declaração feita sob certas circunstâncias, em
determinada época, como a de Paulo, é restrita em suas aplicações. Entretanto,
como há ainda na maioria dos países, muito preconceito sobre a mulher, ela não
deve se ocupar do ministério da palavra. Nos dias de Cristo e de Paulo, a
mulher era, praticamente, uma escrava, quase sempre sem direitos, tida como
inferior, e qualquer participação ostensiva dela na vida religiosa de uma
igreja talvez trouxesse má reputação para o Evangelho. Hoje as mulheres chegam
a altos postos eletivos na vida política e administrativa de alguns países (Golda Meir, Indira Gandi e em nossos dias
primeira ministra inglesa), outras brilham nas artes, nas ciências, na
literatura e nos desportes, e com isto as barreiras de preconceitos vão sendo
derribadas lá fora, no mundo".
CONCLUSÃO
A análise feita
das declarações do apóstolo, nos mostram que os comentaristas têm chegado a
conclusões as mais variadas.
Concluímos
também que este tema continuará a merecer a atenção da Igreja ainda por muitos
anos, especialmente a problemática da
ordenação de senhoras.
As declarações
de Paulo nestes dois versos revelam uma faceta da sua personalidade decisiva.
Eles são tão fortes, que quase chegam a ferir a nossa sensibilidade latina, mas
insistamos mais uma vez que a intervenção pública da mulher teria sido
vergonhosa e até escandalosa para aquele tempo.
Não nos resta
dúvida de que Paulo escudado nas Escrituras, podia declarar que Deus
estabeleceu uma hierarquia, colocando o marido como chefe da família e a mulher
como subordinada ao marido.
Não olvidemos
que o apóstolo se referia às reuniões "oficiais" da igreja, mas ele
mesmo era favorável ao ministério feminino em outras esferas e ocasiões.
Se o papel da
mulher na sociedade daquele tempo era humilhante, em nossos dias ela goza dos
mesmos privilégios e oportunidades concedidos aos homens.
Nota:
O autor do
livro sublinhou as partes que achou mais importantes.
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